terça-feira, 29 de abril de 2008

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CAPITULO TERCEIRO:A VOLTA DE CEVILHO SARAIVA DE ARROBA VASTOS APÓS OITO ANOS EM SÃO PAULO.


Os dias deram lugar aos meses, e os meses aos anos. Rosalinda Raskovich, que ao casar tinha o aspecto de ninfetinha, havia aumentado as ancas o volume do seios, e embora conservasse o olhar obliquo, tornou-se mais maliciosa e madura. O marido, é claro, aprovava as mudanças da mulher. A única pertubação que tinha quanto a ela, era o fato de não ter engravidado, mesmo após quasto anos de casamento. As más línguas diziam que a esterilidade ruiva dava-se graças aos chás fornecidos pela mãe que “não queria ter um neto pretinho”.
Um dia, por volta das 2:00 horas da matina, uma barulheira na arinha que ficava na parte da frente do casarão, fez com que todos acordassem. Coronel Vitelo e Muriçoca, surgiram pela porta da frente vestidos apenas em roupas de baixo e com armas em punho. O coronel, que não se surpreendia a anos, chegou a arrepiar o bigode e a derrubar a arma tão grande foi o susto. Olhou para baixo e exclamou com a maior surpresa do mundo: - Cevilho?
A isso, a figura bêbada e sujismunda caida aos pés da escada respondeu:
- Painho, não vai abraçar seu filho?
Rosalinda, depois do marido sair para o trabalhar na roça, ia para o casarão, onde auxiliava sua mãe e as outras que alí trabalhavam, nos afazeres da casa. Porém naquele dia, ao chegar no casarão por volta das 5:00 horas da manhã, se espantou com o movimento no local – um movimento que não era comum nesse horário. Ao encontrar a mãe em meio a criadagem toda alvoroçada, perguntou: - Mãe, o que esta acontecendo?
- O menina Cevilho, chegar ontem.
Ao ouvir isso, Rosalinda perdeu totalmente a compostura. Suas bochechas coravam enquanto sentia aquele friozinha na barriga. Daí, ficou um tempo parada tentando digerir a informação. Faziam 8 anos que ela não o via. Deixou então a mente vaguear, lembrando das beijocas e brincadeiras de ambos na árvore detrás do galinheiro. Da ultima vez que se viram, ela tinha 12 anos e ele 16. O que ele acharia dela agora? “Será que tô disarrumada, engordei muito, ele vai me achar bonita, e quando ele souber que eu... quando ele souber do meu marido?” - eram tantas questões em uma única fração de segundo, que chegavam a lhe dar náuseas.
Ela criou coragem, tomou fôlego, e seguiu em frente, atravessando o trânsito de pessoas - as criadas feito loucas em preparar as boas vindas – indo direto ao quarto dele. Ele estava deitado de barriga para cima, com as mãos cobrindo seus olhos dos primeiros raios de sol, como quem passa pela pior ressaca do mundo.
Ela adentrou no quarto, aproximou-se da cama, e com as costas da mão, acaricio-lhe o rosto. Mas ele permaneceu quieto, inerte, como se não tivesse notado sua presença. Então, uma voz vinda do corredor atrás de si dizendo “Rosalinda”, a fez despertar de seu estado de transe. Ela irrompeu de repente em corrida na direção da cozinha.
Ao meio-dia, com o sol a pique, tanto os agregados do casarão quanto os rurais, que haviam sido convidados ao banquete, postavam-se a mesa, colocada fora da casa em frente a entrada. O homenageado, com as mãos segurando a cabeça, como que tentando segurar o peso da ressaca, surgiu pela porta e contemplou à mesa todo tipo de comida: desde cereais, aipim e saladas à porco recheado e suculentas fatias de carne de carneiro. Sentou-se ao lado do pai, mas só pareceu acordar realmente ao ouvi-lo dizer:
- Apesar de não ser esperado, meu filho veio passar uns dias conosco. Só espero que não gaste tanto dinheiro aqui quanto gasta estudando no Sul.
Todos riram. Cevilho, que foi o único a não ver graça na piada do pai, olhou repentinamente para o lado, e pôde ver uma mulher ruiva de vestido florido servindo à mesa. Ela, que fingia não perceber estar sendo olhada, debruçou sobre a mesa afim de colocar as louças e talheres, e deu-lhe uma olhadela de canto de olho. Portovaldo, que encontrava-se no outro extremo da mesa, pela primeira vez cismou-se da esposa ao ver a troca de olhares.
Três dias depois, Portovaldo que não vinha muito ao casarão, teve de levar um recado do coronel a sua sogra. Chegou a porta, chamou mas não foi atendido. Adentrou então à casa rumo a cozinha. Foi quando escutou um zum-zum-zum vindo da dispensa. Reconheceu a voz da esposa e de alguém, um homem. E ao se aproximar mais, começou a distinguir também a voz do homem: era de Cevilho – o filho do coronel.
Pé após pé, foi chegando cada vez mais perto, sem ser notado, até poder discernir parte da conversa:
- ... que você ficaria tão linda.
- 'Gradecida Vilinho, quer dizer nhô Cervilho.
- Sem cerimônia. Você pode me chamar do que quiser.
Portovaldo chegou no canto da parede e pode espiar oque estava acontecendo. Sua esposa Rosalinda estava encostada na parede com as mãos para trás, e a cabeça abaixada dando-lhe um aspecto de timidez, enquanto o fulano, ficava a prensa-la na parede prestes a...a...
- Rosalinda – exclamou Portovaldo com sua voz áspera, interrompendo a regalia.
- Portovaldo? - respondeu Rosalinda, e de corada como estava, devido as cantadas do abusado, passou a empalidecer ao ver o esposo.
- Sua mãe. - limitou-se a dizer enquanto lançava-lhe um olhar que valia por 10 mil palavras. Em seguida lançou o mesmo olhar mortífero ao “coronelzinho”.
- Ah, então você é o famoso Portovaldo Justomar, o vingador dos sertões. Sabe, eu e sua esposa fomos criados juntos. Somos como irmãos – falou e soltou um sorrisinho de debilóide fingindo-se tranqüilo, mas no fundo, cagando-se de medo.
- Assim espero...finalizou Portovaldo e após outra olhada fulminante, saiu sem dizer mais nenhuma palavra.
Nas duas semanas seguintes, Rosalinda não deu mais as caras no casarão, alegando ter pego uma “gripe daquelas”. Um dia depois da volta do sinhozinho a São Paulo, Rosalinda voltou as atividades na casa grande ao lado da mãe, já curada da “repentina gripe”.
Tudo pareceu voltar ao normal, a não ser por uma única coisa: O relacionamento de Rosalinda Rascovioch com Portovaldo Justomar, seu marido. Depois de ter visto novamente o filho do coronel, mostrou-se ansiosa, distraída, e quando este voltou para o Sul, ela tornou-se cabisbaixa, triste e de quando em quando, era pega chorando escondidinha em algum canto. Passou a evitar o marido sempre que possível, hora por dor de cabeça, hora por indisposição, e era comum estar “naqueles dias” mais de duas vezes por mês. Foi quando que, ao final de dois meses, veio a confirmação do que ela alegou ser o motivo de seu estranho comportamento: Havia finalmente engravidado!

CONTINUA...

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E ATÉ A PRÓXIMA...

4 comentários:

Gecimar Evangelista disse...

a convivencia com o Aristhides te faz Mal ou bem está otimo o conto....

neli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
neli disse...

Olá Marcos, parabéns! creio que tal qual o Aristides Theodoro, você não sairá mais de Curiapeba. Um grande abraço - sucesso sempre!

Osvaldo Heinze disse...

Tá mandando bem, hein contísta?
Parabéns!
Tens ecrito de maneira agradável e interessante.
Abraços!!!