sexta-feira, 16 de maio de 2008

DOIS VELÓRIOS PARA UM SÓ DEFUNTO

*extraído do periódico “Os Sertões” do dia 04 de janeiro.

Alguns na cidade já devem me conhecer. Sou Mario Robério Moreno, do estado de São Paulo. Lá, publico o famigerado periódico “A Voz do Mal que Há”, que tem como objetivo, elucidar a luz da ciência, casos tidos como “sobrenaturais” ou “inexplicáveis”. Como digo naquela publicação, o verdadeiro “mal que há” por trás de tudo que existe de estranho, é justamente a ignorância e a superstição no coração dos homens que os leva a classificar o que não entendem, como manifestações sobrenaturais.
Um caso desse gênero ocorreu há alguns meses aqui mesmo, com um conterrâneo meu chamado Lucio Marcio Krauser, primo do ilustre morador da cidade, João Krauser, que veio a Curipeba com o objetivo de investir seu capital na região.O certo é que, no feriado de 15 do mês de novembro do ano passado, sua esposa, a senhora Maria Antonieta Krauser, o encontrou morto pela manhã. Por não ter muitos parentes ainda em São Paulo, e devido ao transtorno com a locomoção do corpo, a viúva preferiu enterrá-lo aqui mesmo na cidade.O corpo foi velado na propriedade que o casal havia adquirido, próximo ao centro da cidade.
Compareceram ao enterro, vários cidadãos célebres como João Krauser primo do falecido, Maninha de Matos, o prefeito Polissílabo Saraiva, nosso querido editor Aristarco Vieira e seu companheiro Ozanâ Torquato Velho além dos irmãos Justino e Esmeraldino Troncoso, dentre muitos outros coronéis. Segundo testemunhas, a viúva, que vestiu o falecido com seu melhor terno, mostravam-se inconsolável, debruçando-se sobre o caixão enquanto dizia coisas como “me leve junto com você”, por que Deus te tirou de mim?”e “volte, volte, na me deixe sozinha”.
Num dado momento do funeral, quando a viúva encontrava-se de costas para o caixão a receber os pêsames de alguém, o defunto simplesmente descruzou os dedos de cima do peito, e estendeu a mão para o lado, alcançando o dorso da viúva. Passou a apalpá-la enquanto dizia:
- Amor, onde estão meus óculos?
Acontece que ele era extremamente míope, e por não enxergar praticamente nada sem os óculos, não percebeu que estava em um caixão sendo velado. E imaginando-se em sua cama, ficou a tatear em busca de seus “olhos artificiais”. A viúva olhou por sobre os ombros, e ao ver o finado marido levantando-se, soltou um berro de horror e medo.
As pessoas no recinto tiveram reações diversas: uns desmaiaram, outros se colocaram a gritar em coro com a viuvinha, alguns até mesmo se atreveram a jogar-se pela janela do sobrado sofrendo contusões sérias. No entanto, um coronel chamado Justino Troncoso, que era justamente quem dava os pêsames a viúva neste momento, permaneceu inerte como uma estátua paralisado de medo.
Neste momento, o próprio morto-vivo assustou-se com a gritaria e tombou com o caixão no chão. Recobrou-se do tombo, levantou com as mãos estendidas feito um zumbi de folhetins de terror ou uma múmia saída do sarcófago e saiu a tatear o ar em busca de apoio. Então, provavelmente reconhecendo a viúva pela bela silueta – que eu particularmente tive a oportunidade de conferir – o pseudo defunto partiu rumo a ela dizendo:
- O que ouve querida? Viu alguma assombração?A viúva pendurou-se no pescoço do coronel Justino, que até este momento permanecia paralisado de medo, e clamou por socorro. O coronel acordou de seu transe, acredito que incentivado pelo agarrão da linda viúva, sacou a pistola da cintura e descarregou o pente inteiro no pobre coitado, furando todo seu lindo terninho
engomado.
O segundo velório fez-se bem mais tranqüilo, de acordo com as poucas pessoas que tiveram a coragem de comparecer. João Krauser, o primo, que não se conformava com o ocorrido nem deu as caras. A viúva não fez nenhum escândalo, permanecendo o tempo todo longe do caixão. Ao lado dela, o coronel Troncoso, que desde o acontecido não desgrudou da viúva a consolar-lhe.
Muitos da cidade consideraram o caso como sendo uma aparição sobrenatural. Eu, porém, classifiquei-o como um raro caso de catalepsia: um problema físico que leva a pessoa a um estado semelhante a morte; a vitima acorda depois de um tempo, como quem desperta de um sono. No entanto, como o caso é inédito nos anais de Curiapeba, o coronel Justino Troncoso foi isento de qualquer responsabilidade pela morte de Lucio Krauser, já que este já havia sido considerado morto.
Quanto à viúva, a senhora Maria Antonieta, pareceu muito grata ao coronel Justino Troncoso, já que ao vigésimo quinto dia do mês de fevereiro, pretende contrariar matrimonio com o mesmo.

- Por Mario Robério Moreno – sempre em busca da verdade.

***ESTE CONTO É BASEADO NA OBRA DE ARISTIDES THEODORO SOBRE A FICTÍCIA CIDADE DE CURIAPEBA E FAZ PARTE DO PROJETO DO LIVRO "HISTÓRIA DA S ESTÓRIAS DE CURIPEBA" QUE TEM COMO OBJETIVO FAZER UMA HOMENAGEM AO ESCRITOR E SUA OBRA.

- ESCRITO POR MARCOS ROBERTO MOREIRA (QUALQUER SEMELHANÇA COM O NOME DO "ESCRITOR DO ARTIGO DO JORNAL" DO CONTO, NÃO É MERA COINCIDÊNCIA)

NICTOFOBIA

NOTA: Este foi o primeiro conto que escrevi,por isso que está uma merda!


Terror.Essa palavra ecoa em sua mente,enquanto ela caminha pelas ruas e avenidas da cidade.Ela amaldiçoa seu chefe por pedir que ela fique até mais tarde;amaldiçoa a esposa do chefe por escolher dar a luz justo no horário normal de sua saída;e amaldiçoa o prefeito por não criar uma linha de ônibus que pare em frente à sua casa.
Não que isso seja totalmente confiável.Afinal,quantos ônibus não são invadidos todas as noites>E a cada dois ônibus assaltados,em um morre o motorista,no outro morre o cobrador.Por isso mesmo,o ônibus não aliviaria seu medo,seu terror.
Mas ela pega um ônibus mesmo assim.Ela não poderia atravessar toda a cidade a pé.
Ao descer do ônibus,a cerca da uma quadra para a rua onde mora,tentando não ser notada até o caminho de casa.
Não era uma rua deserta.Muito pelo contrário,havia pessoas,embora já passasse da meia noite.Também não era mal iluminada.Todos os postes tinham lâmpadas novas,que iluminavam muito bem.
Talvez esses sejam os causadores do terror.Afinal,cada luz sobre ela era como se disesse "Venham todos os predadores noturnos!Ela está soziinha e amedronatada!Uma presa fácil!"
O fato de haver pessoas na rua também não ajudava.Ao contrário do que se pensa,um lugar movimentado não significa segurança.Quando não há ninguém na rua,é fácil parar para ouvir se não há alguém te seguindo,ou mesmo escolher o lado da rua pelo qual andar.Mas essa rua,cheia de pessoas...
Um grupo de jovens pode tanto significar amigos namorando,quanto viciados usando drogas juntos.Ela poderia olhar para confirmar,mas se algum deles interpretar mal esse ato,ela se tornmaria uma vítima deles.
Ela não olha.
Ela desvia o olhar e continua caminhando.
Novamente,ela profere uma maldição.Desta vez ,aos seus sapatos.Cada "Clap" de seus saltos no asfalto são como sinos anunciando sua passagem.Novamente,ela se sente vulnerável. Principalemte ao ouvir passos atrás de si.São passos de tênis,abafados,como que tentando não se fazer ouvir.
Cautelosamente,ela apressa seus passos.Chegando em casa,ela estará segura.Mas os passos continuam atrás dela.
Em uma bar próximo,um carro de polícia estacionado.Por um momento,ela se sente a salvo.Como se as palavras "proteger e servir" a reanimasse.Por um momento.Apenas por um momento.
Ao se aproximar,ela vê os dois policiais.Ela ouve um deles comentar o formato esguio de suas pernas,realçadas pela meia calça preta,que,à luz dos postes,brilham com luxúria.Ela desvia e segue o seu caminho.
Por um instante,ela havia esquecido seu perseguidor.Ela se vira pra trás,e não o vê.Porém,ela ouvve o chiar de um portão enferrujado,o barulho de chaves,seguida da frase:
-Cheguei,mãe!-que dizia o "perseguidor".
Se não estivesse tão cansada,ela sorriria.
Por sorte,agora,ela estava segura.Agora,bastava chegar em casa.Estava próxima.Era apenas virar uma esquina e atravessar a rua.De onde estava,naquele momento,já dava pra ver o seu lar.
Ela então relaxa,e pensa no gato siamês que deve estar com fome.E,relaxada,ela não ouve o homem a esperando atrás de um poste,de tocaia.Ela aprenas sente a mão suada em sua boca,o corpo forte atrás de si,a ponta da faca em suas costas,e um hálito alcoolizado que sussurra:
-Quietinha,senão te furo!
Neste momento,o tempo parece parar,e uma palavra ecoa em sua mente:terror.

(outono/2000)

ATRÁS DA ESTANTE

Leitor hipócrita!Sente prazer em tirar entretenimento do sofrimento de seus semelhantes!Dedica-se à leitura de contos de terror apenas para encontrar a ruína de pobres almas atormentadas por horrores terríveis.
Não venha negar esta verdade!Você não se importa com a vida dos personagens.Sente-se satisfeito apenas com a danação deles.
Olhe para seu íntimo e pergunte-se se não é verdade.Se não o fosse,o leitor daria alguma importância à breve existência de Sandro Silva?Não,nunca.Mesmo agora,sabendo de sua existência,pouco lhe importa quem ou o que ele foi.
Pobre publicitário curioso;Dedicado à sua profissão,passava horas noite afora,trabalhando em sua casa,desenhando storyboards pra comerciais de tv.Horas essas cuja solidão de solteiro só era aplacada pela presença de Elvis,seu gato de estimação.
Elvis era um gato alegre,brincalhão,e curioso.Qualidade esta que chega a ser irônica,revendo o que acontecxeu posteriormente.Sandro possuia o gato à poico mais de um aano,metade do tempo em que morava em sua casa própria,depois de alguns anos dividindo um apartamento alugado com um colega de faculdade.Ele se considerava um homem abençoado por ter conseguido um emprego numa agência publicitária tão logo terminou a faculdade.
Sandro não imaginava o que o futuro lhe reservava.
Apesar de ainda não ter encontrado o amor de sua vida,Sandro sempre dedicava alguns minutos de seu tempo na agência para conversar com uma secretária que lá trabalhava.Loira,cabelos curtos,seios que saltavam aos olhos quando ela ia ao trabalho com blusas decotadas.Sandro pensava em convidá-la pra siar,"tomar alguns drinques,dançar,ir ao cinema,essas coisas",enquanto desenhava.Ele estava fazendo o storyboard de uma propaganda de cerveja.Pessoas bebiam numa praia.Ele pensou em desenhar a bela secretária.Colocar o rosto dela em uma das mulheres que bebiam cerveja na praia.depois,mostraria pra ela,que se sentiria lisonjeada,o que facilitaria pra ele conquistá-la.Ele até imaginava a cena:
-Veja só o que fiz ontem.
-O que é?Outro storyboard?-Diria ela.
-Sim,dê uma olhada!
-Bonito!-Diria ela,enquanto admirava os desenhos.Você é um excelente desenhista!
-Veja o rosto desta moça!
Ele apontaria para a loira de cabelos curtos usando biquini,e com uma lata de cerveja na mão.Ela ficaria espantada por um segundo,depois sorriria admirada.
-Sou eu?
-Sim,é você.Gostou?
-Claro.
Então,ele diria o quanto a acha atraente,e o porquê de tê-la desenhado.Ela se encantaria,e ele a convidaria pra sair.
Mas,e se ela se sentisse constrangida por ter sido retratada de biquini?E se seus seios estiverem desenhados maiores do que são realmente?Como reagiria?
Ao pensar nisso,decidiu desenhar todas as mulheres do storyboard com cabelos compridos,a maioria com cabelos pretos.
Terminados os desenhos,Sandro pousa o lápis na prancheta e olha as horas.1 hora da manhã."Até que acabei cedo,hoje".Ele baixa o olhar para Elvis,que estava ao lado da estante da sala,olhando pela fresta entre a estante e a parede.Sandro chamou o gato pelo nome,que,ao ouvir,desviou-se do que fitava e foi até seu dono,esfregou-se em suas pernas,e começou a ronronar.
-Um lanchinho antesde dormir?Que tal?
O gato então miou,como se houvesse compreendido o que o dono sugeria e lhe estivesse respondendo afirmativamente.Então,os dois se dirigem até a cozinha,o gato mais apressadamente,quase derrubando o dono,fazendo-o tropeçar em seu corpo.Sandro então coloca um pouco de ração no prato de Elvis,e em seguida serve-se de um copo de leite e duas fatias de um bolo que sua mãe lhe trouxera no último domingo.E foi dormir.

***
Na noite seguinte,Sandro trouxe mais trabalho pra casa.Ao abrir a porta e entrar na sala,seu olhar caiu diretamente em Elvis,que novamente estava ao lado da estante,olhando pela fresta entre ela e a parede.Ao ver o dono,Elvis abandonou o que fazia e correu para suas pernas,esfregando-se.
Sandro deixou suas coisas numa escrivaninha,e foi até a cozinha,dar comida para o gato.em seguida,foi tomar banho.Isso era apenas uma parte do seu ritual quando chega em casa.Depois do banho,um lanche.Um pouco de tevê("não perco Jornada na sestrelas por nada",ele diria),o jantar,e só então,ao trabalho.Mais um storyboard,mas pra outro comercial.
Enquanto desenhava,Sandro pensava na secretária;Cada dia ela parecia mais encantada ao conversar com ele.Por isso,ele não dava atenção ao gato,cuja cauda balançava de um lado para o outro,demonstrando uma certa impaciência por parte do gato,que observava algo atrás da estante.
A certa altura,Sandro se levantou para ir ao banheiro.Quando faz isso,Elvis costuma se levamntar e correr na mesma direção,se precipitando na frente do dono,e indo até a cozinha,imaginando talvez que receberia mais um pouco de comida.Desta vez,ele não fez isso,tão entretido que estava com o que quer que houvesse atrás da estante.
Sandro sequer percebeu desta vez;Apenas quando saiu do banheiro,e não viu o gato no corredor,voltou para a sala e viu o gato,concentrado no que fazia.
-Elvis...
Mas o gato não desviou seu olhar ,apenas mexeu as orelhas na direção do dono,que sem dar maior atenção ao gato,voltou para sua prancheta,para terminar seus desenhos."Provavelmente,deve ter uma lagartixa,ou barata,encurralada lá atrás",pensou,"Os gatos às vezes parecem ter um poder de hipnose em suas presas."Quando morava com seus pais,sandro teve um gato que hipnotizava baratas,deixando-as por horas imóveis num canto da casa,como se estivessem mortas.Elas só voltavam a se mover quando alguem mexia nelas.
Naquela noite,Sandro terminou seu trabalho à 1:27 da madrugada,se levantou e foi pra cozinha tomar uma copo d'água antes de ir dormir.Elvis não o seguiu.Ficou a fitar o vão entre a estante e a parede.
***
Sexta-feira,último dia útil da semana.O dia favorito de todo trabalhador.E,naquela sexta-feirta,as coisas foram ainda melhores para Sandro.Ele ouviu a linda-loira-gostosa secretária dizer "claro,eu aodraria!"para ele.
-Ótimo.Então,nos encontramos às 7:00 hs da noite lá.
-Vou adorar!
Depis disso,Sandro voltou pra casa,contente.pois ele tinha um encontro,com uma garota linda,e sentia que agora iria ter um compromisso sério.Chega de só "ficar".Isso é coisa pra adolescentes.
Para ter o fim de semana todo dedicado à garota,Sandro decidiu terminar seu trabalho naquela mesma noite.Desenhou até pouco mais de 2:00 da madrugada.Haviua pouco trabalho naquela noite,mas durante todo o tempo,Elvis o incomodava.
A princípio,o gato apenas olhava para o espaço atrás da estante.Mas depois começou a mexer a cauda impacientemente.Mas a atenção de Sandro só foi despertada quando o gato começou a colocar sua pata no vão,como se tentasse pegar algo.
Sandro começaou a desviar sua atenção dos storyuboards para o gato.Se não fosse por isso,teria terminado mais cedo.Quando então o gato começou a miar,Sandro não conseguiu mais se concentrar nos desenhos.
Felizmente,um storyboard não precisa ser uma obra de arte.Mas mesmo assim,ao terminar de fazê-lo,deu uma olhada,e concluiu que,no dia seguinte,precisaria fazer uns retoques em várias pranchas.E o gato ainda miava.

***
Ao se levantar no dia seguinte,Sandro planejava começar o ritual do fim de semana,que consistia em arrumar a casa e lavar roupa,a começar logo após o café da manhã.
Elvis estava na sala,ainda a fitar atrás da estante.Da cozinha,Sandro podia vê-lo,enquanto passava margarina na torrada.A cauda se mexando convulsivamente.Sandro mordia a torrada.O gato olhava fixamente poara o vão.Sandro o observava.O gato começou a miar.Sandro ficou curioso.O gato miava.
Ao terminar de tomar cafá,Sandro decidiu ver o que havia atrás da estante que deixava Elvis perturbado.Ele iria arrastar o maldirto móvel,e ver o que tinha atrás.Só esperava que não uma barata.Seria uma merda perder tempo por causa de uma barata.
Primeiro,Sandro desplugou da tomada a tevê e o dvd.Tirou os aparelhos e os colocou no sofá.Em seguida,os livros,depois os poucos enfeites e retratos.Retirou tudo o que havia na estante,com Elvis a miar no seu ouvido.Depois,arrastou a estante,afastando um dos lados da parede o máximo que pôde.Havia um buraco na parede,próximo ao chão.Um enorme buraco.
Elvis,num impulso,pulou para atrás da estante,entrando pelo buraco.Devia ser um buraco fundo,pois o gato sumiu por ele.Sandro tentou impedi-lo,chamando seu nome,mas não conseguiu.
Sandro pegou uma lanterna,se colocou de quatro atrás da estante,engatinhando até o buraco.Ele olhava pra dentro do buraco,grande o suficiente pra caber uma pessoa,chamando por Elvis.Como o gato não respondia a seu chamado,Sandro entrou pelo buraco,atrás dele.

***

Naquela noite,às 19:50,uma linda secretária,loira e furiosa,deixou o restaurante onde estava,decidida a dar uma bronca no homem que a deixou esperar quase uma hora à um encontro,que seria o primeiro entre eles.Mas ela não teve oportunidade,pois nunca mais o viu.Na verdade,ninguem nunca mais viu ou soube que fim levou Sandro Silva,ou Elvis.
A polícia,chamada semanas depois pela mãe de Sandro,encontrou o buraco na parede,escavou o chão da casa,o quintal próxima à parede,e não encontrou nenhum vestígio deles.
Pra onde eles foram?Algum dia voltaremos a ter notícias deles?Quem se importa?Você,com certeza não.Você,como leitor.está apenas satisfeito por ter acompanhado mais uma tragédia.Imaginando qual será a próxima história de terror que vai ler.Provavelmente esperando que haja muito mais horror,violência e danação do que nesta.
Já foi dito que lê-se histórias de terror fictício pra fugir do terror real.
Mas acho que alguns leitores são apenas sádicos.

sábado, 3 de maio de 2008

CONTINUAÇÃO DA HISTÓRIA DE PORTOVALDO JUSTOMAR - CAPITULO QUARTO E CAPITULO FINAL

  ***ESTES SÃO OS DOIS ÚLTIMOS CÁPITULOS DO CONTO 
SOBRE PORTOVALDO JUSTOMAR.
ANTES DE LÊ-LOS, QUEIRA LER OS 3 PRIMEIROS CÁPITULOS
POSTADOS ABAIXO
( COMECE NO FINAL DA PÁGINA ONDE
ESTÁ O PRIMEIRO CÁPITULO E VÁ SUBINDO LENDO OS OUTROS
DOIS ATÉ CHEGAR NESTES 2 ÚLTIMOS, QUE ESTÃO POSTADOS JUNTOS)
 

 ***APÓS A LEITURA, CONTO COM O SEU COMENTÁRIO.
(É SÓ CLICAR 
EM "COMENTÁRIOS " E DIZER OQUE ACHOU)

SUA CRITICA ENRIQUECE NÃO SÓ O BLOG, COMO A MIM COMO ESCRITOR.
OBRIGADO, E ATÉ A PRÓXIMA     



**ESTE CONTO É BASEADO NA OBRA DE ARISTIDES THEODORO SOBRE A FICTÍCIA CIDADE DE CURIAPEBA.








CAPITULO QUARTO: O NASCIMENTO DE VITELINHO NO CASARÃO DA FAZENDA BARAUNA



            Os nove meses de gestação transcorreram tranqüilamente, a não ser pelos últimos dois. Não que Rosalinda estivesse correndo algum risco na gravidez. Não, não se tratava disso. O problema era seu nervosismo extremo a medida que chegava o dia do parto. Um nervosismo como o de quem estava prestes a chegar em vias de fato, embora não se soubesse qual seria o fato propriamente dito. O certo é que achou-se por bem Rosalinda passar os últimos dias de gravidez no casarão ao lado de sua mãe Dona Bobolonha, parteira renomada entre a criadagem de seu Coronel Vitelo.
           No dia do parto foi aquele alvoroço. Todos na casa correndo para lá e para cá, os gritos da gestante, as falas estranhas de Bolonha e por fim o choro do mancebo, que chegava ao mundo por volta das 2:00 da tarde.
           Portovaldo veio do serviço ver a mulher e estranhou saber que a o filho havia nascido horas antes, sem que ele fosse avisado.
           Adentrou no casarão como sempre, pedindo licença a todos e teve a impressão que as pessoas estavam cochichando e o olhando de forma estranha. Chegou enfim no quarto em que a esposa estava com o recém-nascido. Rosalinda segurava a mão de sua mãe enquanto contemplava o berço ao seu lado com um olhar triste, resignado. Ao ver o marido na porta, só faltou pular da cama.
           - Você...? sussurrou.
           - É claro – retrucou Portovaldo – vim conhecê meu fio.
           Ao olhar o menino deitado, foi ele quem tomou um susto. O menino era alvo e tinha cabelos castanhos-claro.
           - Parecer com o mãe – disse bolonha quebrando o silêncio crepitante.
           “É”-pensava Portovaldo “com o pai é que não parece”. “Pelo menos não comigo”.
           Examinou o menino: A cor da pele, o cabelo abundante, as mãos, o furinho no queixo... A quem lhe lembrava aquele furo no queixo? Foi então que chegou coronel Vitelo, como sempre acompanhado de Muriçoca. Mais gordo doque nunca, com seu bigodão já grisalho, os olhos fechados como sempre e perdido em meio ao sua papa de sapão, o queixo furado. O queixo furado... “Num podi sê. Aquele furo no queixo. Aquele maldito furo. Igual ao do nenê. Igual ao do... ao do filho do coroné”.
           Depois daquela conclusão ele não pode ver nem ouvir mais nada. Nem o coronel lhe dando os parabéns de forma sem graça, nem as pessoas perguntando como o pequeno se chamaria, nem mesmo Rosalinda dizendo que ele se chamaria Vitelo, em homenagem ao coronel que ela considerava com a um pai.
           De repente, as pessoas perceberam que Portovaldo havia sumido. E conforme os dias iam passando, pouco se ouvia falar dele. As vezes era encontrado no meio da roça, caído ao lado de uma garrafa vazia. Outras vezes, achava-se trancado no casebre em meio ao odor de urina e cachaça. Mas ninguém ousava perturbar o pobre coitado, que de matador, passou a ter fama de corno inconformado, causando pena até mesmo em Muriçoca, seu desafeto de longa data.
Já Rosalinda, nunca mais voltou ao casebre, preferindo ficar ao lado da mãe na casa grande. Mas também nunca mais foi a mesma. Sempre voada, com cara de quem esperava, segundo diziam, a chegada do coronelzinho.
           Quanto ao coronel Vitelo, não admitia publicamente que o molecote fosse seu neto. No entanto, ao sentar em sua velha cadeira de balanço na varanda, contemplando o menino já crescido correndo atrás das galinhas, foi pego algumas vezes dizendo:
           - Pelo menos aquele peste me deu alguma coisa de bom.

CAPITULO ÚLTIMO:
O AJUSTE DE CONTAS ENTRE PORTOVALDO JUSTOMAR E CEVILHO SARAIVA DE ARROBA VASTOS



           O menino já estava com três anos, quando Cevilho apareceu novamente. Mas, para a infelicidade de Rosalinda, ele veio acompanhando por uma mulher que conhecera em São Paulo chamada Filomena de Arruda Prado, ou Filozinha para os íntimos. Era uma moça de uns 25 anos, cabelos loiros encaracolados, olhos azuis e e finos modos. Vivia sempre de vestido rodado, um chapeuzinho de fresca e com um leque sempre a se abanar.
           Cevilho declarou ao pai ter-se casado com ela. Resolveu passar um dias com a recém-esposa na fazenda, para lhe mostrar “as maravilhas da chapada diamantina”. O pai fazia-se surdo sabendo que o filho só havia voltado porque tinha gastado todo o dinheiro, e que bastava dar-lhe alguns tostões para que “o peste” sumisse de novo.
           No dia que Cevilho e sua esposa chegaram, Rosalinda desapareceu. No entanto, a única a perceber sua ausência foi sua mãe, Dona Bolonha. O coronel, que nessa época já apresentava uma saúde debilitada, estava muito ocupado em dar atenção ao menino Vitelinho.
           No dia seguinte, coronel como de costume acordou e foi ver o mancebo. Deu um urro ao perceber que o pequeno havia sumido, sem deixar nem sequer um par de meias como vestígio de sua existência. Rosalinda havia voltado a noite sem que ninguém percebesse, e levado o filho embora. Bolonha, que foi acordada pelo grito do coronel, correu para a porta do quarto. Encontrou o coronel caido no chão com a boca espumando. E antes mesmo que um médico pudesse ser trazido do centro para acudi-lo, ele já estava morto.
           Embora tivesse modos rudes de sertanejo, o coronel era muito bem quisto na cidade. Por isso compareceram ao seu funeral diversos cidadãos celebres em Curiapeba tais como Maninha de Matos e seus amigos Porto riquenhos, João krauser, Polissílabo Saraiva que era tio de sua finada esposa,e até mesmo o padre Giracino Bembém de Arruda Real e o pastor Genocídio Geronso Gerrafino, além de muitos outros coronéis e pessoas comuns da região.
           Num dado momento do velório, Muriçoca viu o vulto de um homem pela janela. Era Portovaldo Justomar. Sem ser notado, Muriçoca saiu do recinto e foi ter com o homem do lado de fora. Chegando ao lado dele disse:
           - Eu tava me perguntando quando vosmecê ia aparecer.
           Portovaldo permaneceu mudo fitando o corpo através do janela.
           - Sabe, no começo eu num gostava de vosmecê. Mas dispois do que se assucedeu, tive pena de tu. Eu só nun intendí por que vosmecê num feiz nada com a praga do coronelzinho. Nem o pai dele ia sentí farta.
           - Eu jurei que ia serví a ele. - falou Portovaldo acenando com a cabeça para o corpo.- E o peste é filho dele..
           - Ele num ti contô, num é? - questionou Muriçoca.
           - Contou o que? - perguntou de volta Portovaldo, franzindo a testa.
           - Ele num ti deu guarida porque gostô docê. Ele te devia.
           - Devia oque? - perguntou Portovaldo cada vez mais irritado.
           - O homem que vosmecê despachou, o tal Portovaldo seu pai (ao falar isso, Muriçoca pode sentir os olhos de Portovaldo faiscando), ele era amigo do coroné.            - O coroné se apaixonou por sinhá Seventina Saraiva, sobrinha do doutô Polissílabo. Ele gostava da danada. Gostava di verdade, sabe? Mas ele conseguia ter mais trato com os bichos da fazenda do que com mulé. Já Portovaldo...paricia que tinha mel. O disgramento seduziu a pobre, e dispoís largô a contada prenha. O coroné Vitelo gostava tanto dela, que aresolveu casá cum ela e assumí o fio dela. Mas ela perdeu o muleque, e acababou engravidando di novo, só que agora, o fio era do coroné. Mas como ela num se cuidava direito, num guentô o parto. O coroné nunca se esqueceu do ocorrido e tratou de despachar o muleque pra Salvador logo cedo e dispois pra Sum Paulo pra modí estudar, por que num guentava olhá pra cara dele. Mas oque mais machucava o coroné, não era ter perdido ela na morte. Nem era por ele ter sido traída pelo seu melhô amigo. O que deixava ele mais cabreiro, era sabê que ela morreu amano Portovaldo. Foi por isso que ele num deixou eu te matá. Por isso ele deixou vosmecê morar aqui e se casar com a menina Rosalinda. Porque foi vosmecê que despachô o desinfeliz.
           Ao ouvir a história, Portovaldo ficou boquiaberto a fitar o nada, como quem desvenda um segredo milenar. Começou a andar feito zumbi, entrou na casa, chegou ao lado do caixão e disse na frente de todos:
           - Minha dívida tá paga.
           Cevilho, que estava ao lado da esposa, sentiu os joelhos bater e o sangue gelar. Portovaldo que fitava o caixão, desviou o olhar para ele, que só faltou desmaiar. Já sua esposa Filozinha, ficou tão acesa ao ver Portovaldo, que disparou a se abanar feito louca. Portovaldo retribuiu o olhar insinuante da moça, e saiu em silêncio na direção do casebre. Cevilho tentou recompor-se enquanto disfarçava o nervosismo com um sorriso amarelo dizendo:
           - Rê, rê, ele era muito apegado a meu pai.
           Quando olhou para o lado, percebeu que a esposa não estava mais ali. Esta só foi aparecer bem mais tarde e disse ter se trancado no quarto todo esse tempo devido uma indisposição, e só não contou a ele, porque não queria perturbar o “maridinho com aquela bobagem”. O marido estranhou, já que havia entrado no quarto horas antes e não encotrou a esposa.
           - Seu tolinho – respondeu ela – foi no quarto de cima, perto do sótão.
           Apesar de não engulir, essa Cevilho tinha coisas mais importantes em que se preocupar (a herança)
           Duas semanas depois do enterro, num sábado, Cevilho foi ao centro da cidade acompanhado de Muriçoca. Foi levar mantimentos para serem vendidos na feira, e aproveitou para dar um pulo no bar João Krauser, tentando enturmar-se com os intelectuais da cidade, com seu papo massante e seu jeito cretino.
Foi quando ouviu um grito de fora do bar:
           - Cevilho. Cevilho. Venha cá disgramento!
           Cevilho veio até a porta do bar e pôde ver. Era Portovaldo Justomar Postado na praça das Boiadas vestido apenas com uma calça branca. Ao vê-lo, Cevilho sentiu um frio subir-lhe a espinha.
           - Venha – gritou novamente o negro.
           Em um instante, a praça das Boiadas já estava lotadas. Pessoas vindas, da feira, da rua, dos comércios ao redor - de todos os lados. Alguns haviam estado no enterro de Coronel Vitelo, e conheciam a história por trás do confronto. Cevilho, afim de disfarçar o medo, estendeu as mãos, colocou aquele seu sorrisinho estupido na boca, e disse em voz alta tentando convencer a si mesmo:
           - O que foi vingador, veio me pedir alguma coisa. Meu painho deixou de te pagar?
           - A divida que eu tinha com vosso pai, tá paga. - respondeu – é com vosmecê que tenho que me acertar agora.
           - Direitos trabalhistas, hein? Você pensa que está aonde, na Europa? – Falou Cevilho, tentando arrancar risos da platéia, que se conseguiu entender a piada, preferiu não se manisfestar. Cevilho dirigiu o olhar para Muriçoca fazendo-lhe um sinal para que ele o socorresse, mas Muriçoca fez-se de desentendido.
           Voltou o olhar para Portovaldo. Este estava balbuciando como quem marca um ritmo, um compasso, através do som. Começou então a gingar capoeira, jogando para trás um pé depois o outro, num ritmo cada vez mais veloz. Cevilho sorriu, arregaçou as mangas de sua camisa engomadinha, posicionou-se de forma patética e disse:
           - Então quer brigar? Vou te mostrar o que aprendi em São Paulo com um amigo Japonês: - Karatê!
           A maioria ali nunca tinha visto um Japonês, e muito menos sabiam o que era esse tal Karatê. Cevilho soltou um grito afeminado: - Kiaaa! - e avançou para cima de seu oponente.
           Portovaldo, sem tocar as mão no chão, saltou no ar, e numa pirueta, atingiu a nuca do idiota. Este, avançou para frente “catando cavacos” até cair enfim de cara no chão levantando poeira. A multidão foi ao delírio, vendo o paquiderme estirado ao chão. Este levantou com a mão no queixo aparando o sangue que caia em bicas e disse:
           - Beu dariz vozê guebrou beu dariz!
           A euforia era geral. Cevilho levou a mão a cintura em busca da pistola. Não encontrou nada! Olhou para o lado e viu que Muriçoca estava com revolver dele na mão. Muriçoca havia apanhado a arma de seu coldre sem que ele percebesse!
           Agora estava claro! Tudo aquilo tinha sido planejado entre os dois, talvez desde o enterro de seu pai. Então, todo seu medo e a sua dor, foram substituídos por uma fúria descomunal. Lembrou-se da faca que guardava por dentro da bota. Apanhou-a e partiu para cima de Portovaldo, como um touro contra o toureiro.
           Portovaldo lançou-se ao ar como se a gravidade não o dominasse mais, e atingiu Cevilho novamente. Lançou-se de novo, e de novo atingindo-o golpe após golpe, rodopiando, dançando em pleno ar, como um príncipe africano, com seu corpo negro reluzindo a luz do sol. Um verdadeiro guerreiro, uma força da natureza.
           Já Cevilho, recebia tantas pesadas na cara, que não tinha nem a chance de cair. Ficava a bailar sob os golpes do negro, como um fantoche nas mãos de um ventríloquo. E ao cair finalmente no chão - mais exausto de apanhar do que o outro de bater – rastejou tentando alcançar a faca caída a sua frente. Quando enfim alcançou-a, sentiu o pé descalço de Portovaldo esmagar-lhe a mão.            Portovaldo agachou-se, colocou a faca atrás, na cintura, virou o corpo de cevilho para cima e debruçou-se sobre ele. Portovaldo fixou seu olhar sobre o oponente que mesmo com olho inchado pôde enxergar o olhar fuzilante dele.            Depois de uns segundos fitando-o – segundos que pareceram uma eternidade, tão grande era o silencio na praça – Portovaldo passou a esmurar-lhe a carona contra o solo e a dizer:
           - Queixo furado!! Maldito queixo furado!
           Cevilho estava preste a desfalecer, quando Portovaldo abaixou-se ao pé de seu ouvido e disse sussurrando:
           - Eu tive di guentá treis anos de disaforo, sendo tratado como chifrudo porque me sentia em divida com vosso pai. Agora que paguei minha divida cum ele, vosmecê é que me deve. Me deve sua vida miserável que eu polpei hoje. Por isso, vosmecê vai cuidar do menino como se fosse seu.
           - Mas o menino foi embo...
           - Cala boca!! - gritou Portovaldo interrompendo o traste. Baixou a voz novamente e continuou a dizer:
           - Se eu souber que vosmecê maltratou o muleque – e eu vou saber – vosmecê é um homi morto.
           - Muleque? Que muleque? Questionou Cevilho ainda lembrando do menino que Rosalinda levou embora.
           Portovaldo respondeu: - Vosmecê vai saber. Pegou então a faca presa em suas costas e cravou-a na coxa direita de Portovaldo com tamanha força que quase varou no chão.
           O homem soltou um grito horrendo de dor como ninguém jamais havia escutado. Um grito tão horripilante, que todos os cães começaram a ladrar e os pássaros espantados partiram em revoada.
           Portovaldo levantou-se e saiu andando traquilamente. A multidão abriu caminho para a sua passagem e ele seguiu estrada a fora até sumir na linha do horizonte.
Depois desse dia, nunca mais foi visto por aquelas bandas. Alguns se perguntam se ele assumiu o nome de Cervilho após vigar-se dele, assim como havia feito com o ultimo homem que se vingou.
Quanto a Cevilho, nunca mais apareceu no centro da cidade. Uns acreditam que seja por causa da perna ferida que o condenou a mancar pelo resto da vida. Já outros, culpam a humilhação que sofreu as mãos de Portovaldo em plena praça das Boiadas, na frente de todos.
Dizem que ele fica sentado na varanda, na velha cadeira de balanço de seu pai, contemplando o filho que sua esposa ganhou uns nove meses após a morte do Coronel Vitelo, correr atrás das galinhas no terreiro.
           O menino é saudável, embora não se pareça muito com Cevilho. Ele não possui sua pele clara, seu cabelo liso e muito menos o tal do furo no queixo. Na verdade, o menino tem o cabelo um tanto crespo e é meio escurinho.

 
FIM